Paul Ekman é considerado o maior especialista do mundo quando se trata da análise das emoções humanas e expressões faciais. O seu trabalho é referência para muitos especialistas do mundo todo, como citado no livro “Blink” do Malcolm Gladwell. E é devido ao seu sistema de codificação facial  (FACS) que hoje é possível ver animações da Pixar no cinema com bonecos tão “reais” no que concerne à expressão de emoções. Existe, inclusive, uma série americana, inspirada na sua carreira, chamada “Lie to Me” (Artigo sobre a Série). Onde Ekman é representado pelo “caricato” Dr. Cal Lightman  interpretado por Tim Roth. Mas vamos ao que interessa: Trata-se de trechos do livro Emotions Revealed que separamos.

Estude Linguagem Corporal Agora Mesmo 

Segundo Dr Ekman existem pelo menos 4 competências que podem ser melhoradas com a compreensão das emoções:

  • Identificar as próprias emoções com mais facilidade, mesmo antes de agir ou falar;
  • Escolher como se comportar quando está a ficar emocional de forma a se conseguir atingir os objetivos sem magoar outras pessoas;
  • Tornar-se mais sensível às emoções alheias.
  • Usar de forma cuidadosa as informações sobre como os outros se sentem.

 

Expressões faciais e emoções:

Todos nós quando experienciamos uma emoção traduzimos a mesma através de uma expressão facial, nem que seja o nível micro (principalmente quando mentimos), onde as mesmas duram menos de 1/5 de segundo.

Auto-avaliadores:

O nosso cérebro tem auto-avaliadores que perante as situações “disparam” emoções: Com anos de meditação, por exemplo, é possível ter a capacidade de resposta entre o estímulo e emoção.

Sorriso verdadeiro e impacto no cérebro:

Segundo um estudo conduzido por Richard Davidson e Paul Ekman, “forçar” um sorriso verdadeiro, ou seja, ativando os mesmos músculos faciais, provoca no cérebro a mesma reação que um espontâneo.

Isto é verdade não apenas para a emoção “alegria” mas também para todas as outras. Talvez por isso esta frase de Edgar Allan Poe seja tão verdadeira: “Quando quero descobrir o quão esperta ou estúpida, ou quais os seus pensamento no momento, espelho na minha cara, o melhor que consigo, a expressão da pessoa, e depois espero para ver que emoções e pensamentos afloram”. Exercício interessante, que desde já lanço o desafio!

Período refratário

É o período imediatamente a seguir ao exprimir de uma emoção (ex. raiva). Não adianta chamar uma pessoa à atenção/razão neste período. Ela não se apercebe sequer que está num período refratário. Só depois, sobre reflexão, é que ela pode perceber que reagiu de forma inapropriada e se arrepende do seu comportamento.

Gatilhos emocionais

Todos os condutores já experienciaram carregar no pedal imaginário quando vão sentados no lugar ao lado. É uma reacção automática. Até um instrutor de condução tem este “gatilho” emocional, mas mais enfraquecido que numa pessoa normal. Todos nós temos “gatilhos” que nos fazem disparar algumas emoções e que fomos e vamos colecionando ao longo da vida.

Como podemos enfraquecer um gatilho (ex. sentir raiva de uma pessoa em específico):

1 – Identificar o que está a causar a emoção e como isso se manifesta (ex. pensamentos, reacções corporais, etc.)
2 – Criar um registro de episódios (ex. num diário)
3 –Aprendendo o que provoca e como costuma reagir começa-se a ter maior consciência e a poder dar novas respostas.

NOTA IMPORTANTE:

Todos nós sentimos emoções e as expressamos de vários níveis, principalmente em termos faciais. Isto permite-nos perceber, por exemplo, o que os outros estão sentindo. Não nos permite, no entanto saber o que estão PENSANDO! Por exemplo, o medo de uma pessoa culpada prestes a ser apanhada é muito semelhante ao medo de uma pessoa inocente prestes a ser desacreditada!

Por isso aquela história dos Psicólogos saberem o que as pessoas estão a pensar ser um apenas grande mito que pertence ao imaginário colectivo.

Em um dos nossos cursos uma das técnicas mais importante são as 7 emoções básicas, segue as emoções:

7 emoções básicas estudadas

Paul Ekman dedicou-se ao estudo de 7 emoções básicas que verificou serem inatas a todos os seres humanos e transversais a todas as culturas do mundo:

–       Tristeza
–       Raiva
–       Surpresa
–       Medo
–       Nojo
–       Desprezo
–       Alegria

Descobriu que cada emoção se expressa de forma diferente nas pessoas a vários níveis. Por exemplo, cada uma tem diferentes expressões faciais associadas. Cada uma cria inclusivamente um impulso para a realização de um som específico! Para alem disso, cada uma provoca um impulso para a acção:

–       Raiva: aproximação ao objecto
–       Medo: parar para evitar ser detectado ou fuga
–       Desprezo: olhar de cima para baixo para o objecto
–       Surpresa: atenção fixa no objecto
–       Nojo: o mesmo que o medo mas mais fraco
–       Alegria: aproximação ao objecto

Reação corporal a uma emoção

Várias coisas acontecem quando estamos no calor de uma emoção, e tudo em questões de segundos, sem a nossa escolha ou consciência:

–       sinais emocionais na voz
–       sinais emocionais na face
–       as acções presentes e aprendidas  tornam-se presentes
–       reacções automáticas no corpo
–       recuperação de memorias e expectativas
–       alteração da forma como interpretamos o que nos acontece e ao mundo que nos rodeia

Tudo isto é involuntário e apenas com treino a pessoa poderá estar consciente delas. Assim, não somos capazes de interromper as nossas reações mas somos capazes de as gerir, mesmo não tendo a opção de as parar imediatamente.

Uma boa forma de o fazer é através do treino da atenção, com práticas como o Mindfulness.

Outra boa forma de se aprender como treinar é ter um curso no assunto para entender melhor como funciona uma análise das micro expressões.

TRISTEZA e agonia

A tristeza é uma das emoções que mais dura. Depois de um período de agonia é normal também existir um de tristeza resignada.

Existem vários movimentos faciais associados à tristeza (ex. olhos baixos, boca aberta, etc.) mas o principal é a “ferradura” entre as sobrancelhas.

RAIVA

Tem algumas características faciais, como as sobrancelhas baixas e juntas, os lábios ficarem mais finos e a margem vermelha dos lábios ficar mais castanha.

É uma emoção explosiva e por vezes ponto de ruptura nas relações entre casais. Numa discussão, por exemplo, é normal os homens adoptarem uma postura muito prejudicial (ex. agir como um “muro”), saindo friamente da interacção, não respondendo às emoções da parceira. É mais eficaz ouvir, reconhecer a raiva da parceira/colega e pedir-lhe para discutirem mais tarde quando ele se sentir mais preparado e controlado.

Uma coisa a ter em conta relativamente à raiva é quando nos sentimos irritados. Neste modo é fácil zangarmo-nos. Aliás, procuramos uma oportunidade para isso! Um conselho é evitar pessoas quando nos sentimos irritados, caso consigamos reconhecer que estamos nesse estado.

Perante uma pessoa raivosa NUNCA DIZER: “porque está zangado comigo?”.

Dizer “a minha ação pode ter-te feito ficar zangado e peço desculpa por isso. Há algo que possa fazer para ajudar?”

SURPRESA E MEDO

A surpresa é a mais rápida emoção que existe. Quando a pessoa percebe o que se passa ela transforma-se em medo, alivio, nojo, etc., consoante a causa.

A expressão do medo manifesta-se por um subir das pálpebras superiores e tensão nas inferiores. Para além disso as sobrancelhas sobem e juntam-se, o maxilar baixa e os lábios esticam-se verticalmente na direção das orelhas.

A surpresa tem como características principais o abrir dos olhos e da boca, assim como o subir das sobrancelhas.

NOJO E DESPREZO

O que mais potencia a emoção de nojo são os produtos corporais (fezes, vómito, urina, muco, sangue, etc.). Provavelmente algumas destas palavras fizeram o seu nariz enrugar, característica tão própria desta emoção.

Sabia que as expressões de nojo numa discussão de casal são um indicador do tempo que o mesmo passará junto nos próximos 4 anos?

A emoção de desprezo tem uma característica facial muito típica, o levantar de um dos lados da boca, como se fosse um meio sorriso feito na direção da orelha (isto só com palavras é mais difícil de explicar).

EMPATIA E COMPAIXÃO

Não são emoções. Existem três tipos de empatia:

–       Cognitiva: reconhecemos o que o outro está a sentir
–       Emocional: sentimos o que o outro sente
–       De compaixão: queremos ajudar o outro a lidar com a situação e com as emoções

Ekman também fala-nos de outras emoções positivas como a diversão, a excitação, o alívio, etc, desordens emocionais associadas a cada emoção básica e até como detectar uma mentira quando alguém “fabrica” uma emoção. Por exemplo, um sorriso falso pode ser detectado pois falta-lhe o movimento involuntário que ocorre na parte exterior dos olhos (o que provoca os chamados “pés de galinha”).

No entanto, isto tudo tem que ser analisado dentro do contexto e as mudanças são muito sutis. O próprio autor diz que se alguém afirma que o outro fez um sinal inegável de mentira ou está enganado ou é um charlatão, pois mesmo com treino há que analisar sempre estes pontos com muita precaução e inseridos com um conjunto de indicadores que não apenas uma expressão isolada.

Se você realmente gosta do assunto e quer aprender ainda mais sobre Linguagem Corporal conheça o trabalho que preparamos.

Fontes:
Emotions Revealed – Dr Paul Ekman
O Código Ekman – Paul Ekman, Dr Feitas Magalhães

DICA: Veja a série Lie To Me.

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